NO MIS PRAÇA XV, O SUCESSO DO SEMINÁRIO SOBRE EDUCAÇÃO, MUSEUS E RELAÇÕES ÉTNICO- RACIAIS!

  • 26/07/2022

NO MIS PRAÇA XV, O SUCESSO DO SEMINÁRIO SOBRE EDUCAÇÃO, MUSEUS E RELAÇÕES ÉTNICO- RACIAIS!

Como derrubar as barreiras do preconceito? Onde está a educação para as relações raciais na escola? De que maneira ensinar a criança que a diversidade de crenças é algo natural? Como uma pessoa pode deixar de ser racista se nem se percebe com tal? As memórias que estão sendo narradas nos museus têm um compromisso antirracista ou estão engessadas em um discurso colonialista?

Na sexta-feira, 22 de julho, o MIS Praça XV foi palco de mais um importante evento, o seminário “Educação, Museus e Relações Étnico-Raciais”, que contou com a presença de professores e pesquisadores da UFF, UERJ, UFRJ, UNIRIO e de membros atuantes de coletivos de movimentos sociais.

O MIS reafirma assim, novamente, o seu lema “Cultura, Educação e Memória”, abrindo espaço, como já é tradição, para evidenciar questões prioritárias da nossa sociedade. Essa gravação é mais um documento que fará parte, com muito orgulho, do acervo do MIS, museu onde o protagonismo negro e a diversidade sempre marcaram presença, seja por meio das séries “ A Voz do Povo do Santo”, “100 anos de Abolição”, entre outras, ou dos consagrados “Depoimentos para a Posteridade”.

Liberdade e respeito são necessidades humanas e a intolerância, em todas as suas formas, deve ser fortemente combatida. Só dessa maneira avançaremos no propósito de eliminar a discriminação, o preconceito religioso e o racismo, gerando transformações culturais. Os recorrentes episódios de violência contra negros, religiões de matriz africana, mulheres e LGBTs mostram a urgência do que foi debatido durante todo esse dia.

Composto por quatro mesas, o seminário abordou a intolerância religiosa e a necessidade de uma educação antirracista; a diversidade religiosa e a representatividade nos espaços de educação formal e não formal; o olhar afrocentrado nos museus e, no encerramento, as políticas públicas e o respeito à diversidade religiosa.

O encontro provocou reflexões fundamentais, que colocaram luz sobre assuntos relevantes e circunstâncias históricas, apontando iniciativas para uma educação antirracista, plural e democrática. Os palestrantes defenderam estratégias e projetos para que a sociedade brasileira se torne mais consciente e não naturalize o que não pode e não deve ser naturalizado no cotidiano das relações e instituições.

Nessa missão os educadores têm papel primordial, deve existir questionamento, planejamento pedagógico, e atitude crítica para que a escola seja local de diversidade religiosa e não apenas reproduza e naturalize hegemonias religiosas. Como assinalou a Profa. Dra. Bruna Marques Cabral, os mitos brancos são bem aceitos em sala, mas falar da mitologia negra se transforma em problema, principalmente na periferia. Na luta contra o fundamentalismo religioso e a estrutura racista, a Profa. Fernanda Moura testemunhou alunos saírem de sala quando um filme com orixás era exibido. O caminho para a transformação é a educação e a escola deve ser o lugar do debate e da diferença, um espaço acolhedor, onde a mitologia dos orixás desperte tanto interesse quanto a mitologia nórdica.

Outros temas também foram explanados: a antiguidade do racismo, presente em diversos momentos da história; o trabalho do Observatório da Laicidade na Educação (OLÉ), da UFF, repensando o conceito de laicidade em sua luta contra a intolerância religiosa; a importância da laicidade no museu público; o avanço do conservadorismo religioso; a trajetória da campanha “Liberte Nosso Sagrado” e a gestão compartilhada do acervo de mais de 500 peças, que uniu o Museu da República e lideranças de religiões de matriz africana; a Rede Museologia Kilombola, expondo a violência dos projetos colonialistas em instituições museológicas.

Foi um dia de muito aprendizado. É promissor constatar que tantos professores, pesquisadores, museólogos e outros profissionais estão trabalhando para uma sociedade mais justa e igualitária.

O Prof. Dr. Jalber da Silva afirmou que a Lei 10639/03 – que inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da presença da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Africana”- tem uma grande opositora: a convicção pessoal, que não se muda com lei. Ainda completou seu raciocínio com uma frase lapidar: “Todos estamos presos com grilhões, os preconceituados e os preconceituosos”.

As religiões de matriz africana são parte indissociável da cultura brasileira. Já está passando da hora de ressignificar as relações raciais não só na educação, mas em todos os espaços. Precisamos arrebentar esses grilhões para construir uma sociedade mais inclusiva e solidária. 

Publicado em 26/7/22 por Tetê Nóbrega


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